A liberdade que eu queria


Eu só queria ter a liberdade. Liberdade para correr, brincar, ousar, namorar, escolher. Ter a liberdade de ser eu, ou simplesmente, a liberdade de ser liberta. Queria poder seguir minhas escolhas e continuar com suas conseqüências, sendo boas ou ruins, não importa, queria apenas aprender por mim mesma e poder no final dizer "eu já passei por isso" ou dizer "agora acabou", como toda pessoa livre falaria no final.

Não queria ser mais uma, não queria pisar só nos erros, mas eu queria poder sentir quem sou, poder me sentir mais forte por mim mesma, sentir a minha arte. Acredito que isso não é tão difícil assim. Ei, segurança é ótima, mas exagerada é horrível.

Eu queria poder sair, curtir a vida; ver a vida, ver como é aproveitar cada segundo. Sair de manhã e só voltar na outra manha, aproveitar a noite como qualquer outro jovem. Viajar, conhecer o mundo, novas culturas, novas paisagens, novos ares, novas pessoas. Ah! Eu queria poder conviver mais com as pessoas, conhecê-las mais, aprender mais com elas. Poder ter a escolha de escolher com quem gostaria de conviver. Sentir cada sentimento, emoção e ter toda a recordação, boas e até mesmo as ruins.

Sinto-me como um passarinho preso em uma gaiola. Sinto-me como um macaquinho de circo tendo que fazer tudo que alguém manda. Não existe liberdade, estou presa atrás de uma grade invisível, vendo tudo o que a vida pode oferecer, mas sem poder ter o acesso a um pingo de acesso. Estendo a mão pelos espaços da grade, agarro algo, mas não consigo trazer para mim - nada passa pela grade, até mesmo eu.

Pulo, grito, faço escândalo, faço show. Nada adiante, nada resolve. Continuo presa. A única coisa que tenho acesso é  a minha fértil imaginação, minha companheira de longa data. Com ela faço tudo, com ela sinto tudo, com ela que tenho histórias, que eu sou eu. E minha liberdade é ela, vivo a minha imaginação, viva a minha imaginação.

Ana Cristina Rocha

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