O baú de madeira


Embaixo da minha cama tem uma bauzinho de madeira. Quem olha pensa que é lixo, o seu verniz já está saindo e é bem velho, mas ganhei como presente de uma pessoa muito especial para mim.

Dentro desse baú, guardo todas as minhas lembranças boas e em todos os momentos ruins, eu corro até ele e fico horas vagando em seus conteúdos, assim, eu lembro que um dia essa tempestade passa e o sol nascerá novamente. Quem olha pensa que é tudo bobagem, apenas fotos malucas, cartas envelhecidas e objetos sem sentido, mas tudo é uma força, uma energia que me mantém, para mim.

E hoje é um daqueles dias que tenho que repor minha energia, então, corri até a caixinha e lágrimas caíram. Lágrimas de saudade, de alegria, de renovação, de segui em frente. Sabe, sinto falta daqueles tempos em que a pessoa mais especial para mim estava ao meu lado, sinto falta de todos os momentos com ela; os nossos passeios, as nossas conversas, as nossas brincadeiras, as nossas brigas, os nossos sonhos que nunca seriam possíveis ser a realidade.

Olhando as fotos, vi que sinto falta do seu belo sorriso, do seu carinho, da sua voz sussurrada no meu ouvido. Olhando as cartas, vi que sinto falta do seu amor, sinto falta da sua motivação e do seu jeito meio louco de ver o mundo. Olhando os objetos, vi que sinto falta das nossas conquistas, dos nossos tempos de que éramos apenas duas crianças subindo em cima da árvore, dos tempos em que éramos adolescentes apaixonados, dos tempos em que éramos adultos lutando com os nossos filhos e para manter a casa.

Mas, fechando o bauzinho, vi que não importa o lugar onde essa pessoa esteja, não importa o tempo que ela esteja, não importa o fato de ela não estar aqui fisicamente comigo. Porque, fechando o bauzinho, eu vi que ela sempre estará comigo, através dos nossos filhos, netos e bisnetos, através das minhas lembranças e do meu coração. Vi que ela sempre será especial para mim e que ela sempre será o meu grande amor.

Sei que um dia eu encontrarei com ela novamente, talvez num dos meus sonhos ou nas lembranças de nossa família que construímos juntos, ou até mesmo, talvez, quem sabe, no Paraíso. Sei que por mais que ela tenha partido, ela continuou aqui. É por isso que eu sempre abro minha caixinha nos momentos difíceis, porque antes, nesses momentos, era ela que me dava forças, era ela que me colocava para seguir em frente e agora não está sendo diferente, é ela que continua a me colocar nos eixos, mas tudo através do bauzinho que essa grande pessoa me presenteou no dia em que eu estava completando meus cinco anos de vida, quando ela ainda tinha apenas, sete e, foi quando eu conheci o amor.

Ana Cristina Rocha

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