A grande batalha com o novelo de lã azul


É dia, mas não estou com a mínima para fazer nada, a preguiça me possuiu, mesmo assim, sinto que lá no fundo estou com uma vontade de fazer algo. Mas o que? Comer?  Brincar? Acho que aqui não tem nada de interessante. Olho ao meu redor, e... Nada. Como eu tinha pensado, não tem nada que me dispersa e que consiga vencer a minha forte e poderosa preguiça. Permaneço deitado e acabo pegando num cochilo.

Dormir em plena 3 horas da tarde estava sendo uma maravilha, por um momento. Então... Algum barulho. Abro uma fresta dos meus olhos e viro a minha orelha para direção do  som. Algo interrompeu meu sono tedioso e maravilho - sono bipolar -, mas não a minha preguiça, era apenas a Dona Fifi - Senhora Fifi, Madame Fifi, Mamãe Fifi, Minha Dona Fifi, apenas Fifi, ou qualquer outro nome que você queira chamá-la -, chegando à sala. Ela olha para mim e sorri, um sorriso carinhoso, aconchegante, é eu gosto dela. Ainda assim, viro e fico com a barriga para cima.

Percebo um movimento na minha lateral direita. Opa! Rapidamente abro meus olhos e fico em uma posição de modo que eu consiga observar o que é. É redondo, azul, meio peludo e interessante o suficiente para romper minha preguiça: uma bola de lã.

Fico encarando o novelo, para ter a real certeza que aquilo vale a pena o meu gasto de energia, sabe como é, tem que valer muito a pena. Fico observando, observando, já estou vendo que não vale a pena, novelo desinteressante. Começo a voltar para minha posição confortável, e ocorre um movimento. A lã começa a fazer um movimento ritmado, movimento interessante, excitante. Sim! Mil vezes, esse novelo merece todos os meus movimentos. Será guerra! Chano X Lã Azul. Quem vence essa batalha?

Preparo minha incrível posição de ataque. Foco apenas naquele bolinho azul. Calculo e... Ataco! Salto perfeito, certeiro. Ponto para Chano. Dou alguns golpes, mostro quem sou. E recuo. O novelo ainda se movimenta. Preparo e ataco novamente.

Mordo, chuto, uso todo o poder das minhas afiadas unhas, ou melhor, garras. Recuo e observo. Ele ainda se movimenta, mas não posso afirmar que ele está perfeito; tem fiapos saindo de todos os lados, ótimo trabalho o meu, mais um round e venço!

1...2...3... e... MIAAAAW, estou em cima do inimigo. O meu sangue está correndo nas minhas veias cheio de adrenalina. Agarro o inimigo e dou golpes mortais, arranho, mordo, desfio, chuto, jogo para cima, faço tudo que eu consigo fazer.

"Chaaano". Ops, algo errado. Olho para cima e... Essa não um chinelo está vindo na minha direção! Recuar, recuar! Corro e me protejo. Fico escondido debaixo do sofá de modo que ainda dá para ver o meu derrotado inimigo, O Novelo De Lã. Venci. Bom trabalho. A vitória vai para o magnífico e poderoso Chano.

Então cansado e com preguiça novamente, caminho até a minha confortável almofada, atento com os perigosos movimentos da minha furiosa dona, Fifi.

Ana Cristina Rocha

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